vendredi 2 mars 2018



lundi 2 février 2015

Tartuffe 2015

Ontem, com amigos, fui assistir ao Tartuffe, pela Comédie Française. Bem, pela Comédie Française, um texto de Molière, a gente ja sai de casa tendo adorado, claro. So que nao. A cenografia é o ponto alto da montagem, um palco dividido em três espaços multiplicados por grandes espelhos, bem no barroco, adereços de cena muito interessantes ( todos dizendo respeito à luz, à possibilidade de "ver bem", uma mesa de banquete (a voracidade) posta de modo a quebrar a horizontalidade do palco e mascaras impressionantes para a cena final . A luz, bonita e eficaz, indo na mesma direçao que a cenografia, assim como a musica. Ja o figurino me pareceu confuso, nao ficou claro por que misturava épocas diferentes e nao caracterizava os personagens. E que dizer dos atores da Comédie? So podem ser excelentes, claro. Pois é. Um Tartuffe maravilhoso e um Valère otimo, que sacode a cena, mas uma Elmire com volume de voz inadequado e em todo caso inferior ao do resto da troupe. E uma Dorine pouco caracterizada, se distinguindo com dificuldade de Elmire. O problema , para mim, claro, esta na concepçao do espetaculo. Nunca tinha visto um Tartuffe, foi a primeira vez que vi o texto em cena. E fiquei o tempo todo imaginando o que eu gostaria de estar vendo... O primeiro ato entao, quase dormi. Texto, texto, texto, os atores que discursam enquanto trocam de lugar no palco como numa contradança. O texto é denso, é verdade, mas teatro nao é so texto nem principalmente texto. Depois de uma cena de cortina pouco brilhante, o segundo ato toma fôlego e a cena final é otima, texto e recurso cênicos: teatro. As mascaras refletidas nos grandes espelhos e a surpresa final sao muito bons. O publico adorou, casa cheia ( o Tartuffe é um classico da Comédie) e umas cinco cortinas. Mas fiquei pensando na concepçao. Que me pareceu estétizante, quase ... eu disse quase, heim! ilustrativa. Antes do grand finale eu me perguntava se os espelhos nao serviam afinal apenas para o reflexo de alguns trajes... Se alguns dos figurinos (como os de Marianne) nao serviam apenas para lindas poses ( Marianne linda ajoelhada como o miolo de uma corola de tafeta marfim, com o corpo e o coraçao retalhados por fitas vermelhas) . Por vezes o grupo em cena me fez lembrar dos quadros vivos - mas sem que ficasse claro que era justamente essa a intençao, porque se tivesse ficado claro, teria sido um achado! Fiquei pensando... para ser profundo é preciso ser grave? Um Molière pode ser grave? 

lundi 23 juin 2014

Sobre os ciganos (Roms)


 Estao atualmente por todo lado, esmolando. Familias inteiras na rua, escandalizando os franceses. Nao sei como o Serviço Social, muito atuante ao menos em Paris, ainda nao tomou uma providência eficaz, alojando a todos convenientemente.

Mas, além de sua miséria material impressionar,  impressionam eles de outra maneira: as familias, na rua, parecem unidas e as crianças sao evidentemente felizes!!! Quem passa à noite vê,sistematicamente, familias que dormem: pai e mae enquadrando duas, às vezes três crianças. Que dormem como se estivessem num bercinho limpo, num quarto silencioso e enfeitado. De dia, quem passa vê as mulheres sentadas brincando alegremente com as crianças que comem ou lêem ou brincam com livrinhos de colorir ou conversam com a mae. As vezes se vêem grupos de meninos maiores que brincam entre si. 
E verdade que a solidariedade de bairro nao os deixa morrer à mingua. Volta e meia se vê uma dona de casa que se aproxima, a bolsa cheia de sanduiches, caixinhas de leite, biscoitos. Os livrinhos e lapis de cor devem ter chegado a eles da mesma forma. 
Muita coisa a aprender com uma sociedade em que ha membros que nao pensam que o problema é so com o governo; e com outra sociedade que nos ensina que a unidade familiar e a alegria podem ser mantidas em condiçoes muito duras.




































































































mercredi 16 octobre 2013

Sobre a questao das biografias no Brasil

Sobre a questao das biografias autorizadas e nao autorizadas no Brasil,  me parece curioso que personalidades que vêm ao longo da vida  contribuindo para a mudança de padroes sociais e comportamentais, a esta altura  se preocupem com o senso comum da moralidade e dos bons costumes. Me parece mais logico pensar que se trata nao de tentativa de proteçao "da vida privada"  mas de direitos autorais sobre a  obra 3.1, se me faço entender, da vida como obra. Ou seja, para construir  minha vida no papel, para narrar algo com meu nome,   sera preciso pagar direitos autorais. Assim como se pode abrir uma franchise de um  produto mas nao produzi-lo  fora de sua fabrica. Assim como Yves Saint-Laurent nao pode usar o nome Champagne  em seu  perfume que acabou batizado com Ivresse (embriaguez, ebriedade).  Peintersecçao ou separaçao. Penso que nao se tem, nesse caso, nenhuma polêmica com respeito ais espaços publico e privado, sua  intersecçao.  Temos um desdobramento da questao dos direitos autorais,  mais que nunca atual a partir da questao sobre a reproduçao na internet de musicas e filmes. Uma questao sobre propriedade intelectual e comercializaçao dos bens imateriais.

dimanche 13 octobre 2013

Ruffato fora de foco


Admiro a ficção de Ruffato mas penso que seu discurso em Frankfurt foi um equívoco. 

Textualmente, trata-se de um discurso desequilibrado. Sobre 20 parágrafos, o primeiro propõe a questão, gastam-se 18 com uma revisão da história do Brasil e sobra apenas um para o desenvolvimento da pergunta-tema do parágrafo inicial, que não é respondida adequadamente. Os 18 parágrafos do meio como que a soterram, tornando sem importância sua resposta. 


Pois, à guisa de resposta Ruffato afirma que, talvez ingenuamente, acredita que a literatura possa mudar as pessoas e talvez um país. Como? Isso ele não diz, limitando-se a citar sua própria experiência. E mesmo assim, sem maiores explicações. Ora, a literatura mudou sua vida como a de Machado, de Lima Barreto, de Carolina Maria de Jesus, de Gilka Machado, de Adélia Prado... Não é preciso fazer literatura “social” para ter a vida transformada pelo uso da palavra. Mas, mesmo assim, já que ele está citando a si mesmo como exemplo, como é que a literatura mudou sua vida? Que diferencial apresentou a vida desse filho de um pipoqueiro semianalfabeto e de uma lavadeira analfabeta para que seu destino tenha sido afetado pela literatura? Ele também não diz. 

Termina ele seu discurso com a afirmação de que o destino do homem na terra é ou deveria ser a felicidade. E que, por isso, se alimenta ele de utopias. Quererá ele dizer que a busca da utopia ( o lugar que não existe) é a felicidade? E que é que tem a literatura com a felicidade? Ler literatura torna as pessoas mais felizes? Nada menos certo!

Estrategicamente, seu discurso é igualmente equivocado. E mesmo prejudicial, ouso dizer. 

De fato, quando o autor apresenta-se como talvez ingênuo em suas crenças, acerta em cheio. Foi a ingenuidade de suas crenças que o levou ao equívoco de seu discurso. Porque pensa ele que, porque está numa feira literária, está num fórum humanitário, no qual se teria o dever de denunciar as mazelas de uma terra em transe. Um fórum no qual decisões políticas e humanitárias poderiam ser tomadas desde que seus participantes tomassem conhecimento de dados até então desconhecidos.

Ora, nada mais equivocado. 

Em primeiro lugar nenhuma das alegações de Ruffato, por discutíveis que sejam, é nova. Todos os estrangeiros envolvidos com literatura conhecem muito bem e há muito tempo a história do Brasil, sobretudo em suas dificuldades. Pretendem mesmo, em algumas universidades e redações, ensiná-la aos brasileiros, algumas vezes enfatizando mesmo suas passagens mais sórdidas. O colonialismo, como todos sabemos, não se limita aos aspectos materiais de um povo mas sobretudo aos imateriais. Como se na Europa e nos USA nunca tivesse havido guerras, discriminações, deportações, imigrações forçadas. Como se atualmente a Europa não estivesse atravessando um enorme período de intolerância racial e cultural, como se o sexismo e o racismo dela tivessem sido erradicados, como se os partidos de direita e de extrema direita não estivessem em ascensão, como se a crise econômica europeia e americana tocassem igualmente ricos e pobres, como se as prisões do hemisfério norte estivessem igualmente cheias tanto de ricos como de pobres. Com seu discurso Ruffato contribui para o sentimento de “civilização” do hemisfério norte, que precisa, sobretudo atualmente, ver “là_bas” a selvageria que não quer admitir grassar em seu seio. Os selvagens, os violentos, somos nós, os brasileiros, os do hemisfério sul. O hemisfério norte não precisa de nós para ver-nos assim, como sempre nos viram, como os que precisam ser catequizados, civilizados, objeto de “missões”. Mas, bons alunos dessa catequese, dos processos civilizatórios, nos sentimos obrigados a gritar a cada vez – justamente – que nos sentimos homenageados: - Olhem para nós com suas luzes, com sua civilização. Não somos capazes de viver sem sua tutela, somos infantis, não podemos resolver nossos problemas. Pedimos seu julgamento, sua reprovação. Aceitaremos o castigo que nos for imposto. Ingenuidade. 

Ingenuidade. Ninguém liga! No Mediterrâneo volta e meia soçobra um barco de imigrantes ilegais que arrostam todas as dificuldades para fugir da miséria na África. Morem dezenas, às vezes centenas. Ninguém liga. As fronteiras estão fechadas e assim continuam. No espaço Schengen ciganos são empurrados de uma cidade para outra, de um país para outro, sem direito a trabalhar, obrigados à mendicância ou ao furto. Ninguém liga. Da Africa sub saariana chegam fotos maravilhosamente produzidas mostrando crianças esquálidas e a miséria mais absoluta. Ninguém liga. Do leste europeu vêm meninas aumentar as redes de prostituição nas cidades europeias, famílias inteiras dormem nas ruas, crianças, adultos, velhos. Ninguém liga.

Por que alguém ligaria para denúncias feitas sobre um país que apresenta numa feira literária 70 convidados oficiais? Para denúncias feitas sobre um país que, justamente, está envidando esforços para reparar erros históricos?

O discurso de Ruffato além de não poder produzir nada de bom para o Brasil, reforça pois a atitude colonialista dos europeus e americanos a nosso respeito, baixa nosso valor simbólico, nos prejudica, em suma, de maneira concreta.

A feira de Frankfurt é, como o nome diz, um mercado. Vendem-se e compram-se livros. O Brasil está aí, sobretudo como vendedor, daí essa enorme delegação que o povo brasileiro está pagando. Como a matéria-prima desse produto é o imaginário, o sonho, vendem-se aí, nações ou ao menos países. Nesse lugar, o que é preciso é uma estratégia de venda. Porque vender a literatura brasileira é pôr em evidência o povo brasileiro, é valorizar a vida dos brasileiros, sua luta por superar suas dificuldades. Sua capacidade de “dar a volta por cima”, mesmo que em duas, três gerações. Já se vendeu o Brasil como o país do sexo fácil, das praias paradisíacas. Já foi também a terra do amor e da liberdade, lembro da carta escrita por Polanski a Jorge Amado, agradecendo-lhe o sopro de liberdade que recebera com seus livros. Que tal propô-lo agora como a terra da resiliência? O país onde filhos de lavadeiras (ou estimadas agregadas de famílias abastadas, é conforme o biógrafo) podem tornar-se amigos de filhos do patriciado a ponto de fundarem juntos a Academia Brasileira de Letras? Onde o filho de um pipoqueiro pode tornar-se ficcionista e ser escolhido para falar por seus pares na maior feira de livros do mundo? 

Ruffato parece ignorar que seus livros não são bons pela matéria que narram mas pela mestria com que são narrados. Que literatura não se faz com bons sentimentos ou boas intenções (primeira aula de Teoria Literária). E também (sobretudo? ) que não estamos mais na periferia, o centro se alargou. Estamos agora brincando “na cours des grands”. E que o que temos de ter é coragem.

samedi 1 juin 2013

Que fazer nas pausas do trabalho?

Ha os que fumam ( sou contra o cigarro), os que tomam um café ( eu tomo cha enquanto trabalho), os que saem pra dar uma voltinha...eu leio um romance policial.
 
As vezes dois paragrafos, às vezes um capitulo inteiro, é conforme. E leio também pra desligar o motor à noite, pra poder dormir. Policiais. Aquele labirinto em que é so seguir o fio pra sair incolume; aquela engrenagem que se monta diante dos olhos do leitor.
 
Policiais e também politicos e "judiciarios", estes ultimos tendo a seu favor (e contra eles) sua maior complexidade e sua demanda de reflexão.  O melhor de todos é, sem duvida, John Le Carré.  "A garota do tambor" é uma obra-prima, assim como, "O espião que veio do frio", creio que seu romance mais conhecido.
 
Esplêndidos são  George Simenon, Ken Follet e Scott Turow.
 
Muito bons sao também Michel Connelly, Mary Higgins Clark, Patricia  Cornwell (menos), Jonathan Kellerman (menos), Patricia McDonald, Mickey Spillane, Raymond Chandler, Rex Stout, Dona Leon  (mais que muito boa)e  Ruth Rendell. Descobri recentemente o unico livro de Ned Crabb, também muito bom.
 
Anteontem comecei a conhecer San Antonio (Frédéric Dard): muito ruim, apesar da fama. Estou lendo "Les deux oreilles et la queue" ( "As duas orelhas e a cauda"). O autor explica, na contracapa que se trata do prêmio maximo que recebe um toreador por um excepcional desempenho.  No livro, em que toreador e touro sao respectivamente o inspetor e o criminoso, o titulo tem um duplo sentido pois o policial trabalha com suas duas orelhas, claro e com... digamos... seu orgao sexual, que em francês popular é chamado de "queue". Ou seja, o titulo ja entremostra o conteudo.
 
O romance é ruim, repito.  Afirmo mesmo sem ter terminado a leitura. E ouso dizer que San Antonio, autor e personagem, é ruim. Trata-se de um pastiche assumido estilisticamente de Simenon,  utilizando-se de personagens reais, Mitterand, o ator Patrick Sébastien, etc), de référencias literarias ou  culturais ( até jornal popular na Franca usa référencias literarias). Um romance que se faz em clin d'œil, piscadela, para seus contemporâneos, que se sentem imediatamente parte "da tchurma". E escrito numa deliciosa linguagem  popularissima,  pontilhada do jargao policial e reproduzindo a fonética popular. Verdadeiramente engraçada. Deliciosa, como disse.
 
Mas... continua sendo muito ruim. Ou talvez por isso mesmo é muito ruim.  Porque o romance é violentissimo e banaliza a violência por sob sua linguagem  preciosa - o termo é este -, preciosa por seu valor documental e por sua caracteristica trabalhada.
 
Nesse as mulheres sao todas  depravadas, quanto mais bem vestida e burguesa mais depravada. Nele,  gostar "da coisa" so é aprovado para um homem. Que alias é sempre bem dotado e competente, nao importa a idade ou a situaçao. 
 
O romance advoga uma policia sem limites, com plenos poderes outorgados por um presidente da republica com medo dos américanos. Uma policia que esta acima da lei, que interroga sob tortura, que por vezes -oops - mata um sob tortura, claro que sem querer, acidente de trabalho, como adivinhar que um cara de 40 anos tem coraçao fraco?  Esse...  - esquadrao da morte?  Nao, que é isso,  eu ia dizer essa "brigada especial" é muito competente e obtera sem duvida sucesso em sua missao.  Protegera os pobres cidadaos desvalidos  das ameaças externas. O que nao se pode fazer dentro das leis que amarram a policia, o  1° dos franceses compreende a situaçao.
 
O romance é de 84. Nesse momento os franceses ja tinham de ser mais espertos. Sera que estao mal acostumados? Nao sabem ainda que entre realidade e ficçao ha mais do que sonha nossa fantasia? Leitores de La Fontaine, tomara que nao acabem como as rães que queriam um rei...
 
 
 

mardi 7 août 2012

Nélson Rodrigues, de novo.

Com um grupo de amigos fui assistir ontem ao Beijo no Asfalto, no Glaucio Gil. Gostei muito. Mesmo que hoje a imprensa nao tenha mais o mesmo poder, o tema que o diretor escolhe como viga-mestra da encenaçao - o poder da calunia, o boato que se torna verdade, a corrosao das certezas , a transformçao do parecer em ser e o isolamento do individuo acuado pelo grupo - continua atualissimo. O Beijo é minha peça preferida de Nelson e ouso dizer que é unica que nao envelheceu. O clima é aflitivo, a angustia aumenta até o fim do espetaculo. Os atores estao todos muito bem - Xando Graça como Amado Ribeiro, o "dono" do espetaculo, de fato domina a cena, excelente. Excelente também a "Selminha", com todos os matizes da personagem. O delegado Cunha e o policial Aruba sao um pouco prejudicados ela juventude e beleza dos (otimos) atores que os interpretam. Claro que atualmente ha policiais tao jovens quanto eles mas aqueles personagens exigiriam gente mais velha. O cenario e a iluminaçao sao excelentes, o programa é muito interessante. Tomo coragem pra fazer três pequenas criticas à direçao de Cesar Rodrigues e à codireçao de Roberto Bomtempo: A cena do beijo nao deveria existir, o beijo narrado é que é o que é; a cena final é over pra um espetaculo tenso na medida. Sei que a rubrica do texto pede que o pai saia aos berros gritando Arandir, Arandir. Mas dentro do espetaculo criado, pede-se a sobriedade de um murmurio; ha algumas expressoes que o elenco com certeza nunca ouviu "de verdade" e que, portanto, diz menos bem: " Batata!", "assim assim", por exemplo. Mas tudo isso é detalhe e detalhe infimo. No conjunto o espetaculo é emocionante e, sobretudo, se estende rua afora, a platéia sai refletindo e discutindo. De fato, o teatro politico esta de volta.

vendredi 11 mai 2012

Les métèques à Paris

Dialogo de ainda agorinha, ao telefone, entre uma voz desconhecida, de burguesa educada e eu:
-Oui, respondo ao toque do telefone.
-Cici? pergunta a voz.
- Nao, Eliana, respondo pensando falar com alguma amiga brasileira. Cici deve ter-me lembrado Peri, etc mas com certeza ela procura por Sissi.
-Ah, responde a voz, c'est la gardienne?
- Non, pas de tout, respondo rindo espontaneamente
-Oh, pardon, madame, desculpa-se a voz, verdadeiramente constrangida, mais por meu riso que pelo engano, c'est une erreur!
- De rien, au revoir, digo rindo , agora de proposito.
Nem dez nem mil Hollande...


mardi 1 mai 2012


1° de Maio- A França generosa

Esta bonita a festa.

O desfile começou às 13 horas, sao quase 19 e ainda nao acabou.

Assisti a uma parte no boulevard Saint Germain, perto da praça Maubert.
Caros, faixas, cartazes. Contra a atual situaçao do trabalho, contra o desemprego,  contra o emprego precario, quer dizer, sem estabilidade, com duraçao determinada. Contra a insuficiência do seguro-desemprego.  Contra a insuficiência das aposentadorias, contra a insuficiência de certas ajudas governamentais, como por exemplo, a ajuda aos dependentes fisicos ou mentais.  Contra a atual situaçao do alojamento na França, aluguéis altissimos para o nivel dos salarios. Manifestantes carregam faixas cujos dizeres nao escolhem muito as palavras ( ou que as escolhem muito bem, como  se quiser): "Mal baisés non, mal payés" , "Mal fudidos nao, mal pagos", pode-se ler em algumas delas.

A politica de imigraçao ocupa na manifestaçao um lugar importante: " Nao mexa com meu amigo", dizem cartazes e faixas. "Regularizaçao para todos os sem-documentos", clamam outras.Barraquinhas improvisadas nas calçadas pedem assinaturas exigindo a legalizaçao dos emigrados.

As bandeiras palestina e siria enfeitam algumas alas. " Bashar, t'es con, nous ne sommes
 pas de moutons", "Bashar, tu é um babaca, nos nao somos carneiros", " Bashar, t'es foutu, les syriens sont dans la rue", "Bashar, tu ta fudido, os sirios estao na rua", cantam ritmadamente homens, mulheres com o foulard muçulmano e crianças em carros.

Este 1° de maio , às vésperas do segundo turno das eleiçoes presidenciais, esta cheio de  declaraçoes de voto CONTRA Sarkozy. Nao vi nenhuma A FAVOR de nenhum candidato.  "Sarkozy, t'es  virée" ( Sarkozy, "tu ta despedido", gritam os manifestantes.  "Marine, nique ton père", "Marine, fode teu pai"  , "C'est Sarko qu'il faut virer, pas les émigrés", " E Sarko que é preciso mandar embora, nao os emigrados",  proclamam algumas faixas e cantam os manifestantes.

O desfile é predominantemente vermelho.   E vermelho e preto. Mas  ha também o azul, o amarelo, o verde. 

O desfile tem todas as idades. A geraçao de 68 parece estar la em peso, com os cabelos brancos ou vermelho-fogo das mulheres, com os bigodes e a barriguinha dos homens.  Vestidos compridos, saioes no meio das calças compridas. Muita gente "na força da idade". Muitas crianças, muitos carrinhos de bebê. muitas cadeiras de rodas também.  

Muitas freunioes estao programadas para depois do fim do desfile.

O  1° de Maio é uma data que nos aquece o coraçao e nele infunde esperança  de um mundo melhor. Mesmo se o sindicalismo  no mundo todo e sobretudo na França precisa urgentemente ser redefinido sob pena de se tornar - e rapidamente - um poderoso instrumento da direita.  Mas isso ja é outro post.

























mercredi 10 août 2011

Habitar a cidade




lundi 23 mai 2011

Ficçoes sobre fatos

A ediçao eletrônica do Liberation de hoje, segunda,  mostra o quanto  o "caso"  do ex-presidente do FMI continua a mobilizar os franceses. Parece que  haveria uma corrida nos canais de TV  para ficcionalizar o drama  novayorkino. E  um escritor se apresenta  - reivindicando  gter sido o primeiro a ter pensado na coisa - retomando a idéia do homem que se autodestroi, com toda a fundamentaçao tragica (grega) e psicanalitica.
Ontem num jantar entre amigos, esse foi também o assunto à mesa.  Todo mundo tem uma  roteiro na cabeça quanto ao que se passou na tal suite do Sofital de Times Square.
Ai segue a minha. Ou melhor,  menos "conspiratoria" das minhas hipoteses.  A mas, digamos, social psiquica.   Tenho outras mais complexas.
Temos assim,  de um lado um poderoso com a adrenalina a mil. De outro, uma empregada de hotel que nao pode perder esse emprego.
Ela, por engano ou enganada por um colega ( resta saber por quê teria sido ela enganada por esse colega), entra na suite  ainda ocupada e da de cara com o ocupante saindo do banho, nu.  A moça, chocada, realiza que cometeu uma falta grave e teme por seu emprego. Desmonta, desfaz-se em desculpas mas justamente por estar apavorada - nao pelo fato de ele estar nu mas  por  ela ter incomodado uma alta personalidade, que pode se queixar à direçao do hotel  - nao se retira imediatamente. Fica la balbuciando justificativas.
O idiota  tem um sentimento de pena e cupidez. A insegurança da mulher provoca nele, ao mesmo tempo, piedade, desejo de ajuda-la e excitaçao sexual.  Sentimentos que muitas vezes vao juntos. A humildade dela aumenta seu sentimento de potência.  Ele começa a tentar tranquiliza-la,  começa a falar com ela, se aproxima,  perigosamente. 
Ela continua petrificada. Ela compreende o que vai-se passar.  Ela sabe que é o momento de fugir e ela tenta fazê-lo. Ele lhe corta o caminho, fechando a porta , olhando-a insistentemente, fazendo-lhe  proposiçoes que a chocam e a amedrontam.  Ele nao diz nada  claramente ameaçador.  Ao contrario, ele é gentil,  doce. Mas é insistente e vulgar. E esta nu diante dela, nao escondendo o que pretende. 
Ela nao sabe o que fazer.  E se ele  se queiar à direçao do hotel? E se ela for  acusada de tentativa de prostituiçao? Ela nao é tola, sabe bem que a relaçao de forças é contra ela.  Ela pode amaldiçoar seu colega, que lhe dissera que ela podia entrar mas é ela que tem de tomar uma decisao.  Ele se aproxima e lhe diz que nada de mal lhe acontecera, ao contrario, que ele nao quer machuca-la, que ela seja boa,  tudo se passara rapidamente,  ele tem um encontro dali a poucos minutos, ninguém ficara sabendo,  so eles dois, ele esta indo embora e ela nunca mais o vera...
Ela cede, ele nao pede muito, nao é nem mesmo uma verdadeira relaçao sexual, ela se submete docilmente,  talvez até com um  sorriso  submisso e  pouco depois, de fato, ela esta livre, ele parte correndo, consciente da enormidade de seu ato, talvez sem nem mesmo olhar pra ela, talvez lhe tendo deixado uma grande gorjeta, nao em pagamento mas em agradecimento...
E ela sai correndo também  e vai ao banheiro vomitar. E chora, porque tem de lavar toda a humilhaçao, a revolta e a vergonha de nao ter sido mais forte, de  ter-se sentido tao fraca,  sera que ela deveria ter gritado, o que é que ele poderia gter feito se ela..., o que ele ficou pensando dela o que aconteceria se alguém soubesse e sua filha...
Ela chora convulsivamente num  canto qualquer e é ouvida pelas colegas.  Que a fazem falar. Ela nao quer falar mas nao tem forças pra resistir  à  pressao das perguntas e conta tudo.  As colegas se precipitam  à direçao e as coisas se encadeiam. Quando ela for interrogada dira que  foi agarrada, mantida na cama, que ele a sequestrou e usu de violência, que ela nao consentiu.  Que poderia ela dizer dde diferente?  Como explicar sob pressao este nao-consentimento que diz sim, essa submissao que vem de outro lugar,  que é a submissao do pequeno frente ao grande, que nao começou ali mas vem de muito longe?
As perguntas do inquérito policial  so admitem como resposta um sim ou um nao.  Tratou-se de uma relaçao consentida? Ele afirma que sim, nao houve uso de força fisica,  ao contrario,  ele foi  amavel  e sedutor.  Talvez  tenha mesmo aventado dar-lhe "um presente", talvez o  tenha feito. Quando ele saiu da suite ela nao chorava,  ela nao saia correndo, ele nao a deixaria sair correndo e chorando, ao contrario, ela sorria, se bem que um pouco emocionada... Ele relata fatos reais.
Tratou-se de uma  relaçao consentida? Nao responde ela.  Ela foi violentada. E é verdade.

As coisas com certeza se passaram de uma maneira muito diferente em Nova York. Na Niteroi dos anos 60 elas se passavam assim.

dimanche 22 mai 2011

Por que o escândalo DSK mobiliza tanto a sociedade francesa?

Um professor brasileiro que mora em Paris escreveu recentemente na imprensa que os franceses quereriam virar a pagina DSK.  Minha amiga Clara me manda o link para seu artigo e me pergunta por que esse caso esta interessando tanto. Assim, volto ao assunto.

Em primeiro lugar não é verdade que os franceses queiram esquecer DSK.  Este escândalo - que poderia ser mais um entre muitos - nao sai das manchetes uma semana depois dos fatos e isso representa alguma coisa.

Na verdade trata-se de um caso que mobiliza fantasias e medos os mais diversos e em varios niveis, dentre os quais vou identificar alguns:

1- Em primeiro lugar a figura do acusado: Dominque Strauss Kahn é uma figura infinitamente simpatica em termos midiaticos.  Basta olhar suas fotos.   Passa a imagem do  inteligente bom carater "bon vivant". O tipo do sujeito com autoridade suficiente para comandar e tranquilizar os  comandados (e os eleitores), graças a sua propalada inteligência e aos postos que ocupou  sucessivamente. E, ao mesmo tempo, o tipo do sujeito "simples", com "os mesmos gostos de qualquer um de sua  geração", ou seja, de facil identificaçao  se nao com as classes populares, cao menos com as classes médias, que aqui sao numerosas. 
O fato de ser reputado como mulherengo nao atrapalhava até entao, talvez até ajudasse na tal identificaçao.  Afinal, mulherengos foram também, pelo menos, Félix Faure e Mitterrand.
Era considerado como o provavel proximo presidente da republica pois encarnava nesta França que esta mudando celeremente e sem saber direito como, a sintese ideal entre  tradiçao e modernidade: de um lado, as tradiçoes das boas escolas, dos titulos acadêmicos, dos gostos e "pecadilhos" tao nacionais; de outro, a modernidade de sua experiência internacional, de seu trânsito sobre o Atlântico, de sua relativa independência com relaçao ao PS. Enfim, tinha tudo o que oferece Sarkozy, em melhor, além dos valores do PS o que, num pais que preza a alternância dos partidos no poder,  deve ser levado em conta.
Além disso, é casado com uma das heroinas do  mundo audiovisual francês, a bela, inteligente e apaixonada Anne Sinclair que, depois dos quarenta anos, abandonou uma brilhante carreira de jornalista politica para casar-se  com ele  em segundas nupcias  ja que, tendo ele um cargo publico, estabelecia-se o conflito de interesses entre as duas carreiras.
Assim,  sua queda nao é apenas  particular, é a queda de uma figura  mitificada, na qual muitas esperanças tinham sido depositadas.

2- Em segundo lugar tem-se a natureza do crime de que ele é acusado. O estupro  é o horror de toda mulher e o grande divisor de aguas entre homens e mulheres. Como uma pessoa desse calibre pode ser suspeita de cometer um crime  desses?  Como os defensores de DSK  muitas vezes  entraram pelo velho  caminho machista  segundo o qual certamente a vitima "teria provocado ou até desejado" o ataque sofrido e pondo em relevo as aptidoes de sedutor do acusado, varias associaçoes de mulheres estao-se manifestando em protesto ao que consideram  um acobertamento machista da violaçao dos direitos basicos da mulher.

2- Em terceiro lugar surpreende o modo como procede a justiça americana diante de uma acusação. Do ponto de vista francês (e do meu) , a presunçao de inocência nao esta sendo respeitada nem estao sendo atribuidos os mesmos direitos a ambas as partes.  Qualquer que seja o resultado de um processo desse tipo, o acusado ja pagou carissimo antes mesmo do tribunal. Ao passo que a acusadora -  a vitima presumida -  tem sua identidade preservada. 
Por outro lado, ha os que acham genial e maravilhoso que a justiça americana trate um poderoso da mesma forma que trata um pequeno vendedor de drogas . Sem falar na inveja basica do povinho de todas as classes sociais, que adora ver um "barao" algemado e humilhado.

3- A  historia em si é simbolica, quase mesmo demais. Num pais movido a literatura - mesmo os jornais diarios  sao cheios de referências literarias -  é impossivel nao se ver nessa historia o idolo de pés de barro,  David e Golias, Edipo e a sucessao de gloria e infâmia e mesmo  um La Fontaine no qual o leao  nao fosse salvo mas destruido pelo ratinho.

4-Nao se pode esquecer também que tanto ele quanto sua mulher sao judeus e que ele seria provavelmente, o primeiro judeu presidente da republica francesa na qual as tensoes entre pro e antisemitas sao ainda vivas.

5- No entanto, na minha percepçao, o que mobiliza fundamentalmente, mesmo se por vezes inconscientemente, é a suspeita de  complô que nao sai e nao pode sair da cabeça de ninguém.  Cada um tem sua hipotese  para esse  hipotético complô  as noticias publicas  não cessam de alimenta-las.  Os jornais franceses traduzem as reportagens americanas e cada vez mais aparecem detalhes no minimo estranhos, por exemplo:  a primeira pessoa que noticiou o fato na França, por Twiter, foi um militante do UMD, direita francesa.    Nao teria ele imediatamente alertado os lideres de seu partido? Todos mundo se surpreende também  da liberdade com que a policia foi chamada sem que nenhuma personalidade politica ou diplomatica fosse avisada. Tratava-se afinal da prisao do Diretor Geral do FMI, que , em principio tinha status de diplomata e poderia ter imunidades diplomaticas. Além do mais é francês em territorio americano.  Parece quase "igualdade demais diante da lei" para que se possa acreditar verdadeiramente.  E a direçao do Sofitel, nao foi chamada  quando o alarme foi dado internamente? Que gerente de hotel (e de grande hotel), desejaria um escândalo desses sob sua responsabilidade se nao tivesse  recebido  um sinal verde?  Que gerente de hotel nao teria - antes de chamar a policia -  consultado a direçao geral do hotel e mesmo a direçao do conglomerado, em Paris? Afinal, se o homem se hospedava nesse hotel nao era com certeza porque  suas intalaçoes eram melhores  que as dos demais mas porque sua suite era garantida  como segura, à prova de espionagem. Nessas condiçoes , o gerente do hotel nao teria  procurado se garantir junto a seus superiores? Nao teria tido, por reflexo, a necessidade de interrogar sua empregada, no minimo para saber se a pessoa que prestava a queixa era realmente a empregada contratada (trata-se de um grande hotel).  E quanto ao que se teria passado dentro da suite, nao é estranho que uma mulher de 1,80 nao tenha deixado marcas de mordidas  em lugares estratégicos?  E como é  possivel que um homem sem arma obrigue uma mulher  à pratica de sexo oral? Tenho também eu uma idéia sobre como as coisas podem ter-se passado mas vou da-la  no proximo  post.

Enfim, o que assusta  é que parece estarmos vivendo dentro de um filme de espionagem. O problema é que, de figurantes desse filme, todos nos sentimos,  prestes a passar a protagonistas.   A suspeita de que  esse homem pode estar sendo vitima de um complô  é aterrorizante porque se o que lhe acontece acontecesse com alguém menos rico, poderoso e bem casado essa pessoa, eu ou você, por exemplo, estariamos no fundo de uma prisao  novayorquina. Talvez pelos proximos 75 anos.  E o sentimento de insegurança  que se infiltra em cada um de nos e que faz com que esse caso  tenha tamanha importância.




vendredi 20 mai 2011

O assunto da semana na França



Uma Misteriosa Autodestruição

LEMONDE | 18.05.11 | 14h26  •  Mis à jour le 18.05.11 | 15h00


Serge Hefez est l'auteur de Toi, moi et l'amour (Bréal, 264 p., 21 €).Serge Hefez, psychanalyste
Article paru dans l'édition du 19.05.11
Assassinato ou suicidio?  O futuro nos dira se Dominique Strauss-Kahn é vitima de uma sordida maquinação, assassinato simbolico de um homem no auge  da gloria  ou se ele mesmo acabou de apresentar, diante de nossos olhos estupefatos, o espetaculo de sua autodestruiçao. Na segunda hipotese, lembremo-nos de que a primeira vitima é a pessoa agredida e que milhoes de mulheres  sao violentadas todos os dias por  homens  comuns.  Mas porque este homem  justamente nao é comum, eis que estamos todos  numa espécie de cinema mental cheio de suites de hotel luxuosas onde os personagens obrigatorios da empregadinha  provocante  e o sedutor priapico estao lado a lado na maior falta de limites.  Dificil de imaginar que ele mesmo, "de algum modo"  nao tenha desejado essa queda que marque  a recusa de um destino imposto.
Strauss- Kahn expoe desde sempre um aspecto massivo, terreno, animal, obnubilado por seu prazer, aspecto que se conjuga com a inteligência aguda, o refinamento, a preocupaçao  com o outro e a delicadeza de espirito.  Ele incarna  ao maximo  o dilaceramento do homem contemporâneo, dividido entre a sede de um gozo imediato e a ambiçao desmedida de se construir um destino.  
O episodio da Porsche tinha ja soado  como um primeiro ensaio, hesitante da ruptura. Depois o mundo inteiro assistiu  a sua concretizaçao o que, para nos, nao é nunca um ato  completamente insensato.  Esses atos, esses gestos, essas  liberdades de linguagem parecem surgir do mais profundo de nos e "agem"  atavés de nos muito mais do que  nos  os realizamos.    Passar   brilhantemente exames ou uma entrevista de emprego e nao acordar a tempo para uma ultima prova, viver na adoraçao de um ser amado e trai-lo  no auge da relaçao, cometer uma infraçao diantes das forças da ordem ou dar uma cabeçada  no adversario alguns segundos apenas antes do fim do jogo... 
Pressentimos que tais atos têm um sentido profundo, escondido, misterioso, que nos ultrapassa e que nos tentamos desesperadamente decifrar.  Eles falam de nossa ambivalência fundamental entre a vontade de construir , de amar, de futuro  e aquela outra, mais sorrateira, de religaçao com o pulsional, o infantil, o inanimado.  Quando a vontade de crescer nao consegue  mais preencher as falhas que ela tenta dissimular aparece entao um movimento que fascina porque ele esta  escondido no mais profundo de nos, um  narcissismo de morte que visa a  nosso proprio aniquilamento.  Todas essas condutas  autodestruidoras que nos sao hoje  familiares se apoiam sobre essa dualidade. Eros e Tanatos: o amor, a estima, a confiança que parecem naturais  sao contrariadas  por todo lado.
Essas forças teluricas que nos habitam  se nutrem  de uma mitologia intima em que estao lado a lado Icaro e Edipo, Caim e Antigona e todos esses herois  vencidos por um destino marcado pela gloria e a queda e por vezes pela ressurreiçao.  Eles encarnam a hybris, a desmedida, os desejos incestuosos, a rivalidade fraterna e por vezes um simples mortal  se orgulha de  representa-los. Zinédine Zidane  pôde em seu momento cometer um ato que transformou sua vida em epopéia.

Nao misturemos  as coisas

Sabemos todos a que ponto o exercicio do poder galvaniza a capacidade de seduçao e decupla as pulsoes sexuais. Mas tomemos cuidado de nao  confundir  poder, seduçao,  compulsao sexual e estupro.  A vontade de seduzir e de gozar, o donjuanismo ou o complexo de Casanova raramente se conjugam  com agressao sexual.
Mais que qualquer outro, nosso atual presidente, outro grande pecador diante de Deus, pagou caro a privatizaçao do espaço publico e a politizaçao do espaço privado, criando uma espiral infernal  propicia ao narcisismo. Os direitos reivindicados enviam  cada vez mais à felicidade pessoal, ao reconhecimento moral, à gratificaçao  sexual, à salvaçao da alma, ao passo que  as caracteristicas pessoais dos politicos, seu sexo, sua identidade , seus sentimentos, suas emoçoes ganham sempre na competiçao com qualquer outra consideraçao  no engajamento publico.
Os  politicos, homens e mulheres,  tornaram-se, mesmo contra sua vontade, idolos que cristalizam  nossas esperanças e nossas expectativas, que nos encarnam e nos reunem. Sua vida privada  toma ares de destino e essa travessia do fantasma que os leva ao  cimo da gloria  pode provocar muitos prejuizos.  Visto dessa maneira,  o suicidio novayorquino  daquele que era anunciado como o sucessor de Nicolas Sarkozy nao soaria  apenas como uma renuncia mas como a tentativa desesperada  de alguém de se salvar-se a si mesmo.
Article paru dans l'édition du 19.05.11

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Capa de Ronaldo Graça

Interior de Saint Julien le Pauvre

Interior de Saint Julien le Pauvre

Marion e a igreja de Saint Julien le Pauvre

Marion e a igreja de Saint Julien le Pauvre

Barcelona

Barcelona

Barcelona

Barcelona

Museu da Catalunha

Museu da Catalunha

A arvore mais velha de Paris.Jardim de Saint Julien le Pauvre

A arvore mais velha de Paris.Jardim de Saint Julien le Pauvre

Jardim da igreja de Saint Julien le Pauvre

Jardim da igreja de Saint Julien le Pauvre

Igreja da Madeleine

Igreja da Madeleine

Das escadas da Madeleine. Ao fundo, a place Vendôme

Das escadas da Madeleine. Ao fundo, a place Vendôme

Barcelona- Gracia

Barcelona- Gracia

Rue de Bucci

Rue de Bucci

Barcelona

Barcelona

Charitas forever

Charitas forever
Foto de Elias Francioni

Passage Saint Andre des Arts

Passage Saint Andre des Arts

Cartão-postal

Cartão-postal
Foto de Vera Bungarten

Paris...

Paris...
Foto de Vera Bungarten

No centro do Louvre

No centro do Louvre
Foto de Vera Bungarten

Passages de Paris

Passages de Paris
Foto de Vera Bungarten

Livraria Shakeaspeare.Quartier Latin

Livraria Shakeaspeare.Quartier Latin
Foto de Ana Maria Lucena

Quartier Latin

Quartier Latin
50 anos de Ionesco

Tonico Pereira. Teatro da FAAP

Tonico Pereira. Teatro da FAAP

Le Petit Pont e l'Hôtel de Police

Le Petit Pont e l'Hôtel de Police

Feliz Ano Novo ( foto de Patrick Corneau)

Feliz Ano Novo ( foto de Patrick Corneau)
Dança, a esperança equilibrista porque o show de todo artista tem de continuar.

Ilha da Boa Viagem

Ilha da Boa Viagem
Foto de Elias Francioni

Rue de la Huchette. Quartier Latin

Rue de la Huchette. Quartier Latin

Xando Graça

Xando Graça

Pont Saint Michel

Pont Saint Michel

Les Invalides

Les Invalides
Foto de Vera Bungarten

A dama de ferro

A dama de ferro
foto de Ana Lucena

A côté du Beaubourg

A côté du Beaubourg
Foto de Vera Bungarten

Chez Procope

Chez Procope

Igreja de Saint Séverin

Igreja de Saint Séverin

Angulo da igreja de Saint Séverin. Quartier Latin

Angulo da igreja de Saint Séverin. Quartier Latin
(foto Ana Maria Lucena)

Detalhe da Catedral de Notre Dame

Detalhe da Catedral de Notre Dame

Bassin Igor Stravinsk (ao lado do Beaubourg)

Bassin Igor Stravinsk (ao lado do Beaubourg)
Foto de Vera Bungarten

Liceu Henri IV

Liceu Henri IV
foto de Maria do Rosario

Liceu Henri IV. Ao fundo, o Panthéon

Liceu Henri IV. Ao fundo, o Panthéon
foto de Maria do Rosario

Liceu Henri IV

Liceu Henri IV
foto de Maria do Rosario

Liceu Henri IV

Liceu Henri IV
foto de Maria do Rosario

Jardin du Luxembourg

Jardin du Luxembourg

Espetaculo de mimica

Espetaculo de mimica
Jardin du Luxembourg

Rive Gauche

Rive Gauche

Barcelona Arco do Triunfo

Barcelona Arco do Triunfo

Museu de Zoologia e Historia Natural

Museu de Zoologia e Historia Natural

Jardin du Luxembourg

Jardin du Luxembourg
O despertar da primavera